
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Fim de algum mundo.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
coming soon

Inexorável e incontestável tempo. O que fazer com sua passagem, que por hora é lenta ou rápida demais, descontentando aqueles crédulos no poder de controlá-lo?
Acordamos todos os dias, por motivos distintos, de acordo ou contra nossa vontade. Repetimos boa parte do repertório e criamos o que tanto se evita, mas sempre se instaura – a rotina. Amamos pessoas e esperamos que elas nos amem com uma intensidade maior ainda, ignorando o que o amor tem de mais bonito – ser real. Um sentimento real não se manipula, não se mede e não se compara. Ele decide quando e entre quem acontecer, e as conseqüências nós decidimos como e quando suportar. Experimentamos sabores e experiências, ambos ora suaves, ora pitorescos. Presenciamos inúmeras chegadas, e toda sutileza de quem desbrava cuidadosamente os limites de outro alguém. Também vivenciamos partidas, e todo o desespero de quem deixa partir na tentativa de resgatar o outro de novo para dentro de suas fronteiras sentimentais. As lágrimas, os risos, os suspiros, os bocejos... A vida. Tão sutil e tão intensa, dá até um nó na cabeça de quem tenta sobre ela declamar. Continuamos nossa trajetória, passo a passo, mesmo que às vezes tenhamos vontade de retroceder ou estagnar. Arrastados ou num trote modesto, velozes ou quase imperceptíveis. Vivemos a espera de um amanhã que cedo ou tarde não irá chegar; como insistem em lembrar, um dia o negro dos olhos fechados não mais dará lugar aos raios de luz. Nada tão preocupante quanto à possibilidade de deixar passar momentos cruciais, pessoas incríveis e sentimentos inexplicáveis. Por muitas vezes nos escondemos atrás do medo, afinal é ele que salva a pele dos destemidos, mas é também ele o culpado por barrar os receosos. Temos receio de fazer a opção errada e, portanto, optamos por não optar, sem pensar no quão maior será a perda se nem ao menos houver uma tentativa. Respiramos involuntariamente, graças a Deus, pois na turbulenta vida do século XXI há tanto a se lembrar que não seriam raros os casos de paradas respiratórias caso respirar carecesse de memória. O estilo de vida agitado, recheado de afazeres e badalações, numa visão mais profunda, acaba por ser o mais vazio de todos já vistos. Não temos os mesmos laços afetivos, sinceros e reais, que tinham nossos avôs ao decidirem constituir uma família. Obviamente, cada época tem seus prós e contras, sendo nossa maior alegação de melhoria em relação há umas décadas atrás a tão sonhada liberdade. E o que realmente sabemos sobre liberdade? Associamos tal dádiva quase sempre ao exagero e a incoerência, sem lembrar que para ser livre, precisamos estar em equilíbrio e este jamais consiste em atitudes egoístas ou individuais. Ainda que com nossos constantes defeitos, ainda observamos humanos preocupados uns com os outros, com a verdade e com a vida, de tudo aquilo que a possui. Muitas vezes ao tentar ajudar, acabamos nos atrapalhando, mas o que deve ficar de tudo isso é o aprendizado sobre a consciência de cada um, pois é ela quem dita as regras – inclusive as punições – sobre aquilo que se faz. Não adianta recorrermos à idéia de que a repressão alheia é o maior motivo de sofrimento, pois sabemos muito bem que nós mesmos somos os sabotadores quando algo dá errado. Quando o sono chega, mais um dia repleto de angústias e alívios se passou e só resta um travesseiro amassado, um cobertor aconchegante e seus sonhos pra te acompanharem. Talvez seja este o momento de maior reflexão do ser humano, quando nossos sentidos descansam de toda aquela necessidade constante de estar em alerta e permitimos aos aprendizados adquiridos que se concretizem em coisas efetivas e duradouras, para que estas possam nos amparar num futuro nada distante. Mais um ano chega ao fim... Sorte a nossa que todo fim é um novo começo!
Feliz 2012 (:
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
''cognoscere''
terça-feira, 18 de outubro de 2011
os tantos sons da vida

Nossa trajetória é marcada por curvas tão suaves que muitas vezes nem são percebidas pelos navegantes. Sensíveis sim, mas também imprescindíveis para que cheguemos a algum lugar. Durante esse tempo em que crescemos, caímos, levantamos, gargalhamos e esbravejamos, encontramos métodos – convencionais ou não – para nos expressarmos e indicarmos por qual período da vida estamos passando. Na infância, balbuciamos alguns tropeços de palavras, regados a toda a curiosidade e vontade de alcançar aquele tão distante assento da cadeira. Crescemos alguns centímetros e já trocamos as palavras desencontradas por trechos de histórias de magia, narrados por vozes mirradas com uma ou outra confusão devido ao complexo mundo que compreende tantas palavras estranhas. Anos após, lá estamos nós falando dos deveres de casa, dos jogos de pique-pega, da tarde de bonecas com as amigas ou das competições de carrinho com os amigos. Algumas primaveras além, nosso discurso é sobre o intervalo e as paixonites que rondam por aí durante ele; sobre aquela prova tenebrosa de álgebra, ou sobre os jogos de handball do interclasse. Há aquele momento crucial, onde só o que se ouve falar é da assustadora prova que decidirá nossas vidas: o vestibular. Para os sortudos, o que se escuta posteriormente são gritos regados a toda euforia possível, parabenizando-os pela aprovação. Passada a novidade, o assunto passa a ser o trote, o semestre difícil, as provas impossíveis, as menções finais, os estágios incompatíveis, os colegas de bancada, os conflitos sobre o futuro... Findado este processo, as vozes são de ordem ou de dúvida, dependendo de sua origem na ordem hierárquica que se constrói sem que você tenha conhecimento dos fatos. Para alguns, o próximo som tem inicio com a marcha nupcial, depois dá lugar ao choro de pequenas novas vidas e, como nada é perfeito, alguns altos tons de vozes raivosas também fazem parte do cenário. Agora, já após a passagem de tantos anos, os sons ficam mais baixinhos, e temos alguma dificuldade de detectá-los... Passamos a ouvir algumas vozes familiares, ainda que não as reconheçamos de primeira, e delas saem palavras novas como ‘’vovô e vovó’’, que se direcionam a você e partem de pequenos seres, inexistentes há cinco anos. Depois disso, o som se cala. Mas o silêncio do mundo não deve corresponder ao silêncio da alma: quando enriquecida com boas vibrações, esta nunca silencia, para que nós nunca estejamos totalmente solitários. Os sons, as vozes, os ruídos... As lembranças! Simples. Comuns. Marcantes. Inesquecíveis.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
down
Muitas vezes, frente à nossa sublime capacidade de reagir fortemente às peripércias da vida, comparamos nós mesmos com raízes de uma robusta árvore ou espinhos de uma perigosa flor. Nos por menores, não passamos de pétalas sensíveis de perfumadas e encantadoras rosas. Ruímos sobre nossos caules quando agredidas, e vemos com os mesmos olhos nosso desabrochar e nosso murchar. Derramamos mais orvalho que o necessário quando não nos cuidam com amor e, principalmente, quando nos machucam. Ao contrário de rosas, também sofremos com o desapego daqueles que com tanto zelo cuidamos, esperando que com muito amor seja nossa recepção. Dói mais do que deveria sentir que não somos orgulho daqueles que são nossa inspiração. Machucam comparações com aquilo que chamamos de maus exemplos, ou quando nos encaixam em características ''pouco louváveis'', as quais não destinamos nem aos nossos inimigos. São dores silenciosas, inimigas da prospecção de um sentimento, pois acabam minimizando os bons momentos para que caibam tantas ofensas passivas. Dói ver palavras sinceras proferirem dolorosas e sutis críticas, que jogam por água abaixo todo o esforço que temos para alcançar um lugar memorável na vida de quem tanto gostamos. Mas, dentre tantas possibilidades, o que mais fere é não conseguir, em momento nenhum, ter sequer vontade de revidar as ofensas. Quanto mais ouvimos as vozes de nossos preciosos tagarelarem flechas de tristeza, mais vontade temos de dizer o quanto é grande nosso sentimento, o quanto admirado o outro é por nós, o quanto os consideramos únicos e magníficos. Árduo é o trabalho de lutar contra essa vontade incessante de engrandecer o ego de nossos amantes, suprindo-os com palavras doces e amáveis que, inegavelmente, são extremamente sinceras e traduzem parte do grande todo de amor que guardamos dentro de nós. Engraçado é como enriquecemos esses sentimentos belíssimos com a lama que nos é atirada e, mesmo empregnados de negatividade e desmotivação, reerguemos nossos corpos atirados ao chão para poder mais uma vez tratar com carinho e atenção a origem de todo o caos. Seria cômico, se não fosse trágico.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
be cool 8)
Precisamos mesmo de tanta rigidez diante do inofensivo cotidiano? Ou se nossas atitudes fossem ligeiramente mais moldáveis poderiam desvencilhar de modo saudável a maioria das nossas desavenças? Em conversas passadas, aqui mesmo nesse espaço, falei sobre resistência e resiliência, e do quanto elas tem a ver com nossas conquistas, caídas e reerguidas. Vistas de outros ângulos nossas dificuldades são, além de enfraquecedoras, desafiadoras. Porém não é baseado nesse caráter adverso das situações ruins que podemos lançar mão de qualquer artifício para superá-las. Como em tudo na vida, há limites até pra nossas batalhas. Não há como quebrar tudo e transformar em pó toda construção que vier em nosso caminho. Todos os impecilhos são oriundos de uma história alheia, carregada com seus próprios problemas e seus próprios motivos de ali estar. O limite da nossa liberdade é onde começam os direitos do outro. E na prática e tão difícil quanto na definição: como transitar intacto diante dessa malha sentimental que permeia os nossos trâmites diários? Intacto, hoje, reside num mundo utópico, onde somos todos respeitadores das diferenças e doadores de perdão. No mundo real, a menor das feridas gera uma cicatriz que dificilmente se perde no tempo, acompanhando-nos por toda a existência sem deixar que aquelas memórias se desfaçam. O aprendizado de todo esse discurso interminável é justificar suas feridas, mas não com um tom de vingança, mas sim num tom de lição, para que não repita no próximo o erro que cometeram com você. Entender o que se passa na cabeça e na vida do próximo é uma tarefa árdua, principalmente por não possuir uma finalidade muito compreensível: o que se ganha com isso? Se ganha a possibilidade de despertar na mente alheia a vontade de propagar o bem e instaurar uma convivência muito mais saudável do que a áurea competitiva que reside entre nós. Não precisamos exalar amor e carinho, a ponto de ser possível materializar coraçõezinhos brilhantes ao nosso redor. A questão é ser mais maleável e não tão rígido diante dos acontecimentos, lembrando que a composição de todos nós é a mesma. Somos todos um só molde, acrescidos de uns ou outros centímetros e quilos, mas principalmente recheados com uma essência que é particular de cada um: o nosso caráter. Essa nossa ‘’marca registrada’’ pode ser corrompida quando não preservada e, com isso, degradar pouco a pouco nossa capacidade de responder verdadeiramente as mais variadas questões. Não é recomendável o plágio ao caráter alheio, pois cada um de nós responde de uma forma específica a uma dada situação. O melhor é moldar a sua própria essência e encontrar aquela que melhor se adapte a sua vida – sem prejudicar a de quem lhe rodeia.
be cool 8)
Precisamos mesmo de tanta rigidez diante do inofensivo cotidiano? Ou se nossas atitudes fossem ligeiramente mais moldáveis poderiam desvencilhar de modo saudável a maioria das nossas desavenças? Em conversas passadas, aqui mesmo nesse espaço, falei sobre resistência e resiliência, e do quanto elas tem a ver com nossas conquistas, caídas e reerguidas. Vistas de outros ângulos nossas dificuldades são, além de enfraquecedoras, desafiadoras. Porém não é baseado nesse caráter adverso das situações ruins que podemos lançar mão de qualquer artifício para superá-las. Como em tudo na vida, há limites até pra nossas batalhas. Não há como quebrar tudo e transformar em pó toda construção que vier em nosso caminho. Todos os impecilhos são oriundos de uma história alheia, carregada com seus próprios problemas e seus próprios motivos de ali estar. O limite da nossa liberdade é onde começam os direitos do outro. E na prática e tão difícil quanto na definição: como transitar intacto diante dessa malha sentimental que permeia os nossos trâmites diários? Intacto, hoje, reside num mundo utópico, onde somos todos respeitadores das diferenças e doadores de perdão. No mundo real, a menor das feridas gera uma cicatriz que dificilmente se perde no tempo, acompanhando-nos por toda a existência sem deixar que aquelas memórias se desfaçam. O aprendizado de todo esse discurso interminável é justificar suas feridas, mas não com um tom de vingança, mas sim num tom de lição, para que não repita no próximo o erro que cometeram com você. Entender o que se passa na cabeça e na vida do próximo é uma tarefa árdua, principalmente por não possuir uma finalidade muito compreensível: o que se ganha com isso? Se ganha a possibilidade de despertar na mente alheia a vontade de propagar o bem e instaurar uma convivência muito mais saudável do que a áurea competitiva que reside entre nós. Não precisamos exalar amor e carinho, a ponto de ser possível materializar coraçõezinhos brilhantes ao nosso redor. A questão é ser mais maleável e não tão rígido diante dos acontecimentos, lembrando que a composição de todos nós é a mesma. Somos todos um só molde, acrescidos de uns ou outros centímetros e quilos, mas principalmente recheados com uma essência que é particular de cada um: o nosso caráter. Essa nossa ‘’marca registrada’’ pode ser corrompida quando não preservada e, com isso, degradar pouco a pouco nossa capacidade de responder verdadeiramente as mais variadas questões. Não é recomendável o plágio ao caráter alheio, pois cada um de nós responde de uma forma específica a uma dada situação. O melhor é moldar a sua própria essência e encontrar aquela que melhor se adapte a sua vida – sem prejudicar a de quem lhe rodeia.