quarta-feira, 10 de junho de 2009



eu quis falar
mas as lâminas do teu silêncio me vieram cortar
as falas turvas que eu ousaria balbuciar.
eu quis tentar
mas relutar sobre a derrota nunca foi meu dom
nos demos por vencidos, mudamos de tom
a espreita da espera daquele velho som
eu quis fazer
mas seu olhar condenador me levou a hesitar
e repensar sobre os meus feitos e me condenar
e me entender de outro jeito e me estranhar.
eu vivi tanto tempo dentro do seu calabouço, calada.
presa nas suas armadilhas, nas mais embaraçadas.
eu vi perigo, fiz necessário toda a cautela do mundo
pra frear suas vontades e preservar minhas verdades.
você rastejava lento, deslizando sobre o meu suor
minha labuta te trazia frutos, mas me deixava só
entristecia-se mas nem sequer pensava em me libertar.
a confusão pairava sobre suas asas de anjo mal
suas respostas fugiam de você, mas fingia bem não haver dor.
o sofrimento não te alcançara, mas um dia te derrubaria.
no tão esperado momento, eu estaria lá
não para trazer seu acalento, nem para ajudá-lo a levantar.
passaria sobre sua carcaça no chão, espantaria os urubus
não te desejo mal, e nem a eles.
e prosseguiria vendo-lhe quebrar minhas algemas invisíveis
e sairia, perene, como quem vence uma batalha; e eu venci.
olharia uma última vez, e apenas duas coisas me acompanhariam
o sorriso incessante e a promessa de nunca mais voltar
nem sequer a fixar meus olhos nas suas lanternas infernais.
eu me liberto, e te prendo ao buraco que cavastes.
alimente-se do seu próprio veneno, e sinta-o penetrar em seu íntimo.
quando acabares, procura-me: eu ainda estarei sorrindo.

terça-feira, 9 de junho de 2009

se me vires cantando, canta comigo. se me vires chorando, sorri !


a cada milésimo de segundo estamos sendo observados por olhos críticos que lançam mão de critérios
questionáveis para avaliar nossos ritmos.
precisamos ter cultura, saber gostar do que é bom e criticar aquilo que não agrada a elite.
e se preciso você precisar enfiar debaixo do tapete toda a crítica que você fez a modelos oligárquicos, todo seu repudio
ao poder de dominação e sentimentos de superioridade de uns poucos, tudo bem.
precisamos viver em sociedade, esquecendo a desigualdade.
ainda que na prática você se esqueça de tratar bem a faxineira do seu prédio.
alguns costumes estão empregnados em nossa essência, como um odor forte e nada agradável.
leviano aquele que disser nunca ter agido de maneira preconceituosa ou impiedosa com o próximo.
calunioso o que disser que seguiu à risca a lei do 'somos todos iguais' sem cometer um deslize sequer.
e não me espantaria se você erguesse sua mão cheio de razão para dizer que você conseguiu ser correto ao extremo; a mentira é outra
doença que nos persegue e se torna cada dia mais corriqueira.
as pequenas não verdades vem aderindo-se as mais variadas situações, como se não fizesse diferença sua presença alí. mas faz.
as vezes deixamos passar despercidos alguns erros viciosos. e eu não falo de subir pra cima ou descer pra baixo, mas sim de afundar cada vez mais.
a sociedade vem se embasando em contextos tão vazios que é difícil até defini-los de maneira coesa.
os elementos que estamos lançando mão na construção de nossos valores atuais são de um caráter apenas revoltado. é evidente a vontade de inovar, de
romper com preceitos antigos, de criar novos métodos de viver nossas novas vidas.
mas os limites estão sendo negligenciados e não estamos ligando pra isso.
não defendo extremismo, rigidez demais só facilita o rompimento. mas a permissão exacerbada vem degradando cada vez mais aquilo que mais buscamos construir.
chegando ao ponto de que acamos contradizendo nossas idéias com nossas ações.e, percebendo essa ocorrência, ao invés de mudarmos a parte errada - as ações -
acabamos vendo uma solução mais cômoda nas mudanças do ideário.
o número incalculável de pensadores que se desgastaram para apenas nos abrir os olhos deveria ser fator suficiente para que tomássemos nota do caos que está se instaurando.
e além disso nossa consciência está sendo colocada em terceiro plano, pois nem num segundo já não há mais espaço, este ocupado com coisas extremamente inúteis.
há muito potencial a ser explorado mas pouca mão de obra capaz de fazê-lo.
' e é por isso que eu não fico satisfeito em sentir o que eu sinto, se o que eu sinto fica só no meu peito ' já dizia gabriel, o pensador.
compartilhe tudo o que você tiver de melhor, sem esquecer de excluir tudo aquilo que não fará bem de forma alguma.
viva para construir e, assim, construa sua vida.

terça-feira, 2 de junho de 2009


chega um dia que você cansa.
algumas vezes é algo crônico, depois morre de estafa por não ter parado pra descansar um minuto sequer.
em outras, você mata sua vida mas continua movimentando sua inútil carcaça pelos lugares, fingindo estar alí. mas não há nada
que comprove sua permanência interna.
o cansaço físico pode vir a ser prazeroso. o cansaço mental, dificilmente. a associação destes, você já imagina qe não é algo bom.
aquela vontade dominante de não levantar da cama por nada agindo sobre a nossa recessiva coragem de enfrentar os zilhões de problemas
que aguardam anciosamente por você lá fora.
o que não faria por uns minutos de vácuo... de stop !
o cansaço dói. mta gente sequer chegou a conhecê-lo e acreditam ser especialistas no assunto. talvez eu me encaixe aí.
mas é algo degenerativo, que destrói uma a uma todas as suas forças para lutar contra a estagnação.
de repente não é o caso relutar contra tudo isso. deixar ser dominado por uns minutos de preguiça pode ser até saudável.
o que não é recomendado é desistir.
é deixar que essa vontade louca de não fazer absolutamente nada te dominar e te impedir de desbravar mais um belo dia que está por nascer.
junte suas migalhas de força, e transforme-a no mais delicioso bolo de coragem. metáforas bregas surgem a cada momento, acontece !
bom, eu vou agora tentar seguir minhas palavras, e buscar sair da condição de dominada.
voltar a controlar as rédias da minha vida, retomar minha coragem e partir mais uma vez a mais umas lutas.
e mais : vou vencê-las, uma a uma !
antes disso, uma bela e longa noite de sono cai bem (:
por mim, por você, por quem for... não desista !

terça-feira, 19 de maio de 2009

um dia sim, outro... também.

eu sei que muitos vão considerar meus modos etiquetados, familiares e compreendidos. admito que saberão sobre o que escrevo, mas isso não implica numa interpretação precisa de cada vírgula que houver. as oscilações em mim são frequentes e fortes, me tornando instável e poderosa. tenho um poder fracionado, que não se une por precaução de suas consequências.
muitos me julgam audaciosas, mas minha evolução me permite ignorar o que considero indesejável e viver suprida de energias positivas de quem liberá-las pra mim.
tenho escrito textos científicos, me embasando em pensadores que fizeram história. mas o que todos tem em comum é exatamente o ponto que me intriga: tiveram que deixar a vida para entrar na história. Vargas me perdoe o empréstimo desavisado de suas palavras, mas melhores não encontraria.
eles não desfrutaram dos louros de suas obras, mas talvez seja essa a mágica de cada um deles. não se deixaram deslumbrar pela fama instantânea, característica de todo inovador no mundo.
viviam em meio a um mundo monótono, a julgar embasada nos costumes atuais.
é difícil posicionar a mente uns séculos atrás, mas sem realizar esse procedimento, obtemos uma analise preconceituosa e marcada de achismos.
bato na mesma tecla, digo que minhas palavras são cada dia mais marcadas e, talvez por isso, menos marcantes. minha intenção não é abandonar meus anseios por medo de cair no óbvio. pelo contrário, é essa minha vontade.
pois o óbvio nada mais é do que a prova de que consegui instaurar minhas idéias, fazendo fluir o seu raciocínio a partir do meu.
é estranho referir ao leitor como um conhecido, pois não faço idéia de quem esteja lendo agora.
pausa para a análise extremamente relativa do agora.
o seu agora, é diferente do meu. quando ler, esse se adaptará ao seu contexto, mudando sua origem para encaixar-se num mais cabível. magnífico !
voltando ao raciocínio.
minhas idas a vindas assim podem confundir, mas você só precisa se preocupar em não se perder no seu interior, em nada mais.
pois após construída e consolidada sua essência, não há palavras, induções, promessas nem magias que lhe façam desviar da rota que por você foi traçada com o lápis da determinação.

váigual. vivaigual. vejaigual. volte. veja diferente. vivadiferente. vádiferente

domingo, 17 de maio de 2009

' A Terra gira ? ha ha ha



Toda dúvida é alimentada por forças extraordinárias, invisíveis, mas relevantes, que nos conduzem com impulsos invisíveis àquilo que desejam nos mostrar.
os erros, os acertos, as buscas. nada é mera obra do acaso.
os motivos que me conduzem à essas afirmações, no entanto, apenas não são palpáveis. mas ainda assim, consistentes o suficientes para serem dignos de minha plena confiança e credibilidade.
agora, aos fatos e pensamentos que me acercaram por dias, mas encontravam-se submersos em uma dificuldade extrema de expressão. talvez apenas por não terem atingido seu ápice.
em meados do século XVI, Galileu Galilei nascia na Itália. naquela sociedade erudita e conservadora, a esperança de um revolucionário era, além de nada bem vista, dotada de uma baixíssima probabilidade, regada à uma numa expectativa. no entanto, a contrariedade ditou os passos do futuro, e o nascido tornou-se objeto de estudos até hoje, no século XXI.
em meio à uma repressão da Igreja, com acessos restritos e apenas movido à sua curiosidade, Galileu fez descobertas imprescindíveis à astronomia e contribui para o desenvolvimento de todo nosso acervo tecnológico na área.
sem em momento algum subtrair a grandiosidade dos feitos, o que mais me intriga não são os próprios conhecidos na atualidade, mas os que se perderam nas cinzas do autoritarismo clérico. a Igreja ( o maiúsculo é um reflexo claro da imagem preservada de autoridade ), ao ocultar e tornar inacessível grandes obras alquimistas, privou o mundo de descobertas talvez ainda mais extraordinárias do que as reveladas até hoje. São feitos documentados por cientistas brilhantes, que se perderam no discurso contra a heresia e a ameaça ao cristianismo.
Não é meu foco desmerecer ou julgar crenças e fés, mas apenas questionar seus embasamentos. Nossos costumes nos conduzem às missas aos domingos, mas nosso intelecto se encontra um tanto quanto estagnado em relação a alguns porquês.
É mais que evidente, ou seria primordial que fosse, a existência de corrupção, jogo de influências, supremacia de poderes e outros símbolos de má conduta por entre os corredores das Igrejas de toda a Europa da Idade Média. A venda de faixas de terra no céu, a princípio, é julgada como ingenuidade da época, crenças extrapoladas e outros. Mas fatores sucessores de cunho maldoso superior são suficientes para analisar e contestar as medidas e intenções vindas de dentro do Clero.
Inquisições, manual de caça à bruxas. Tentativas desesperadoras de impedir que outras doutrinas sufoquem e, porque não, desmascarem algo alí existente.
Volto a reforças, não é minha intenção converter os leitores contra suas crenças. Apenas acredito que devemos no mínimo refletir sobre as perdas que tivemos por estarmos submetidos a imposições perpetuadas ao longo dos séculos.
Século XXI não é mais época de submissão desenfreada e incontestada. Hoje, não há uma lista de proibições pela Igreja. E, ainda que este feito no passado possa ser visto como um marco de atraso milenar, devemos aproveitar sua inexistência e extrair ao máximo todo aquele conhecimento possível, não só o propagado.
Após acontecimentos particulares, ficou muito claro que há muito a ser desmistificados.
Talvez se uma máquina do tempo retrocedesse meu texto em alguns anos, eu seria considerada herege por constestar a supremacia de um grupo que se intitula intérprete de ações divinas, que segregam a sociedade de acordo com interesses, divinos, e atuam com repressão no controle de uma sociedade com maior número de representantes, mas com mínima atuação em questões gerais. Eu, particularmente, me sentiria honrada.
Homens com conhecimento astronomicamente amplos foram banidos, barrados, impedidos de dar prosseguimento e conclusão as suas obras.
Fico a penas no que eles dariam para viver em nossa época, em como gozariam desenfreadamente da liberdade que temos, e mal nos damos conta na maioria das situações.
Evoco o espirito desses alquimistas, para que nos deem sinais de por onde seguir. De que afastem de nós a desistência e a repressão daqueles que não apoiam a universalização do conhecimento.



' Epur Si Muove '. Sim Galileu, ela se move sim.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

uma nova alma: a velha mania de mudar.





eu, em um belo dia, abri meu livro de mil receitas pra ser feliz e li com atenção a seguinte regra:
das mais ímpares experiências, aprenda a generalizar seus aprendizados e aplique-os no maior número de situações que conseguir.
é claro que esse livro nunca existiu, e essa regra é apenas um dos milhares de pensamentos que transitam inquietantemente por aqui.
mas o fato é que não importa as origens, e sim o conteúdo.
em determinados momentos da vida, nos deparamos com uma gama de opções de caminhos a seguir.
temos uma prévia de cada trajeto e de cada destino, e todos os outros argumentos associados à escolha.
optar pelo caminho errado, ciente de seus defeitos e desastres consegue ser ainda mais estúpido que escolher ao acaso.
enxergar os erros e persistir no encontro a eles é característica primordial para rotular o ser como desistente.
agir desse modo é abdicar de hábitos saudáveis, que desembocam numa vida digna e bem aproveitada.
a vida é sim muito curta. mas isso deve ser incentivo para viver cada dia como se fosse o último, o que não significa viver tentando fazer
com que esse seja de fato o último.
uma auto análise é algo trabalhoso. enxergar e admitir suas próprias falhas diante de sua consciência é revoltante e muitas vezes barra
nosso desejo e necessidade de fazê-lo. mais do que nunca, em momentos onde tais medidas são cabíveis, é preciso ter muita força sobre
aquele que mais pode ajudá-lo ou prejudicá-lo: você.
você é seu inimigo oculto, que veda os próprios olhos ou permite chegar-lhe apenas a imagem que deseja.
uma nova idéia fica persistindo, e de tão insistente não me deixa escolha a não ser externá-la.
a nossa falsa necessidade de nos tornar agradáveis diante do próximo, leva à alimentação de relacionamentos inexistentes.
os laços que fazemos embasados em aparências, interesses ou conveniência são frágeis como cristais de areia, e dissolvem-se
na primeira oportunidade. já estou esgotada, portanto vou tentar o impossível. ser sussinta.
deite sua cabeça no travesseiro e discuta com seu eu interior sobre a importância que alguns tem e não tem. sobre como eles te veem, se é como
você realmente é, ou se é uma imagem distorcida que você passou para satisfazer expectativas.
caso você não saiba direito identificar quem realmente é, pense naquela versão imutável de você. naquela que poucos conhecem, só os verdadeiros
conhecedores da sua áurea. ao encontrar, compare com a imagem que tem corrido por aí, e veja se vale a pena continuar se relacionando com
pessoas que em nada te completam, em que a afinidade é lenda !
segregue por importância, não por ignorância, mas para seu próprio bem. ame e dê valor apenas, apenas!, aos que se mostrarem interessados em estar
ao seu lado da melhor à pior situação, a cair e levantar com você e a nunca pensar em ter de volta aquilo que derem a você.
você vai viver melhor. se der sorte, até será uma pessoa melhor !
eu ainda tô em fase de teste, mas posso garantir que se os resultados continuarem aparecendo progressivamente a partir dos imediatos, serão MAIS que satisfatórios.

domingo, 10 de maio de 2009

há dias em que o sol não nasce. ou ele nasce apagado.
momentos que as vezes são tão vagos, mas carregam uma complexidade incompreensível.
é doloroso, e mais ainda por ser silencioso. reflexão introspectiva que se expressa num longo e deprimido... faltam palavras.
os dias em que é difícil até mesmo escrever, são dias indignos de serem lembrados em calendário algum.
são dias frios, ainda que fazendo trinta e cinco graus. são dias solitários, na companhia de vários corpos. são dias estranhos. e só.
são dias em que podemos enxergar a solidão e seus efeitos. que podemos sentir a necessidade de um complemento, e não
só de um adjunto opcional. é ver que buscar coisas inúteis já não vem ao caso.
que sentir sentimentos passageiros já não resolve. que insistir naquilo que não terá êxito nas próximas três vidas, é pura perda de tempo.
e ver que lá no fundo, falta.
e que essa falta é intensificadora de uma ferida, chamada solidão.
a noite chega, mas é como se ele tivesse reinado durante todo o dia.
palavras tolas, na minha opinião. não gosto de escrevê-las, mas estou sob domínio... não há questionamentos na dor.
um beijo melancólico.