segunda-feira, 16 de junho de 2014

Lembranças (ainda) não vividas

Um dia, você acorda. Os lençóis tem o mesmo toque, o amanhecer o mesmo brilho, o café o mesmo aroma. De dentro daquelas paredes, você sabe que algo mudou. A sutileza com a qual nasceu a origem da mudança é tamanha, que nem os mais treinados olhares poderiam atestar que ela aconteceu. Você, que não acredita em destino, caminha como quem poderia fazê-lo de olhos fechados. Mas, você, de alguma forma inexplicável e até incompreensível, sabe.
A vida segue e mil pessoas esbarram em você durante a jornada; algumas, você mal vê. Outras, você resolve seguir. Caminhos tortuosos, que muitas vezes não levam a lugar nenhum. Mas, ainda assim, imprescindíveis ao que está por vir. E no meio de tantos caminhos, você imagina que o certo estará cultivado de belas flores, grama aparada, céu azul e pássaros a cantar: doce ilusão. Aquele que tem pedras, te conduz aos tropeços, te faz pensar em voltar... Talvez esse seja o que te levará ao que você, mesmo sem ter ciência, procura encontrar. As milhares de coisas que não se pode compreender são sustentadas por um pensamento fixo e até difícil de aceitar de que é ali. As adversidades transbordam ao seu redor, mas a sua assustadora tranquilidade contorna uma a uma. E veja que, no fim das contas, todos os caminhos que você percorreu ensinaram a não cair em alguns buracos: no fim, não foram em momento algum em vão. Eles simplesmente alí estavam para que você pudesse compreender e aprender melhor sobre o caminhar. Pois bem, você finalmente encontrou por onde ir. E agora?
A trajetória só começou... E pra concluí-la você terá que caminhar por estradas desconhecidas, sujar os pés e até machuca-los. Olhar pra trás e querer voltar, mas será tomado por uma força maior que te impulsionará a continuar. Vai ser cansativo, e você poderá até pensar em desistir. Porém, você não estará sozinho. Compartilhar a dor, a felicidade, a vitória... Isso te fará entender por que tantas vezes você resistiu à tentação da desistência, e porque tantas vezes os caminhos que aparentavam ser mais atrativos foram por você rejeitados.
Um dia, você acorda. Os lençóis mudaram, o amanhecer aparece sob outra perspectiva. E um novo aroma toma conta do ambiente. De dentro das paredes, agora você tem certeza que algo mudou – basta abrir os olhos, olhar pro lado e você verá.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

À luz da lua. À lua, nossa luz.

A noite chega, sorrateira, apagando a luminosidade do dia com sua majestosa escuridão. Mas, sustentada nessa imensidão, a luz da lua não se acanha e alí permanece, sem desistir de iluminar as milhares de almas que sonham sob esse clarão. Aqui da superfície suspiram brancos, negros, ricos, pobres, decididos, confusos... Carne e osso, recheados de ideias ousadas ou recatadas, engajados em fazer de sua existência algo valioso - ou simplesmente existindo. A atmosfera que conecta essas duas realidades trata também de permear entre a extensão universal, talvez carreando os devaneios terrestres, talvez transportando mensagens superiores que caminham entre nós de uma forma tão sublime que se torna imperceptível aos olhos. A bondade e a caridade as vezes parecem percorrer nossas almas de uma forma leve, numa tentativa de construir nela uma barreira para o mal e uma motivação para a evolução. Esses bons ares volta e meia são dissipados pelo ardor da crueldade que, infelizmente, também nos constitui. Somos tão pouco, mas nossas ações podem significar tudo na vida de alguém - ou de alguéns. Ser bom não é simples, nem dá tanto destaque quanto ser detentor do poder. As vezes é difícil olhar pra dentro de si quando se vive nessa vasta superfície...as vezes parece impossível não se render às tendências, sem julgar se elas constituem os ventos bons ou ruins. Nesses momentos, o maior dos conselhos está pairando sobre nós: basta olhar pra lua, e lembrar de como ela não se deixa corromper pela escuridão simplesmente pra permitir que nossas almas não parem de sonhar.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

2013

Janeiro. Férias. Sono. Amor. Aniversários. Fevereiro. Sol. Praia. Amor. Camarão. Amor. Março. Repaginada. Repouso. Novidades. Abril. Retorno. Rotina. Alegria. Maio. Faculdade. Surpresa. Parque. Beijo. Felicidade. Junho. Término. Choro. 21anos. Redescoberta. Felicidade. Julho. Férias. Balada. Loucura. Sono. Curtição. Felicidade. Agosto. Salsa. Ceviche. Cinema. Pipoca. Felicidade. Setembro. Estágio. Aniversários. Salsa. Filme. Pipoca. Mojitos. Concurso. Felicidade. Outubro. Surpresas. Pausa. Continuação. Aprovação. Patins. Halloween. Felicidade. Novembro. Sushi. Projetos. Premiação. Doente. Mambo. Presente. Árvore. Pausa. Felicidade. Dezembro. Häagen-Dazs. Felicidade. Açaí. Presente.  Velas. Pinheiro. Natal. Família. Almoço. Saudade. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

O outro do "um dia após o outro"

Todo começo é precedido por um fim, afinal, para que exista o novo, o velho teve que ser exterminado de alguma forma. Dizer dessa forma faz parecer que o processo é calmo, mas na grande maioria das vezes a ruptura de uma realidade para a chegada de uma nova é drástica e de consequências substanciais. O mais complexo é o entendimento dos fatos, que se dão de uma forma tão intensa que acabam por perturbar nossa capacidade de compreensão, que é substituída pela raiva e/ou indignação.
O importante é ter a calma e a serenidade para esperar a erupção passar e caminhar sobre as cinzas do vulcão: causará dor, obviamente, e deixará cicatrizes que dificilmente irão sumir. Mas quando tudo passar, você estará resistente e resiliente, aprimorando a capacidade de se refazer a cada queda.
Não cabe a ilusão de crer ter sido a última vez, a última lágrima ou o último sofrimento: no máximo podemos nos certificar que quem gerou tais desconfortos não torne a ser o responsável por acontecimentos semelhantes no futuro.
A culpa também não deve simplesmente ser exaltada, afinal ela não é a protagonista. Quem se destaca, por direito, são as consequências dos ocorridos, e não a determinação de quem os proporcionou.
Há tanto a ser dito, mas ao mesmo tempo tantas palavras seriam inúteis diante da inexistência de um padrão, de características de identificação, de perfis específicos que culminem em sofrimento: ele aparece em cantos inimagináveis, onde imaginávamos residir bons corações que jamais teriam a habilidade de magoar. Mas eles magoam.
Felizmente, a mágoa, como qualquer outra lesão, pode ser cicatrizada. Uma vez realizado esse processo, não haverá sensibilidade naquela região; mas as demais localidades ainda estão susceptíveis a novos ataques.
Vingança, para mim, não cabe aqui. É preciso entender que os fatos já ocorridos não são passiveis de mudança, então a melhor saída é a felicidade plena, o desejo de boas energias aos que te magoaram e a evolução interna, buscando tornar-se uma pessoa melhor a cada dia.
Os bons ventos sopraram em minha direção nessa noite, e depois de tantas turbulências, me sinto num voo calmo com destino ao melhor que posso ter. Nada é por acaso, mas nem por isso podemos nos isentar da influência que temos sobre os acontecimentos. Hoje, tenho apenas uma história feliz com um final triste, o qual justifica a manutenção dos fatos no passado, e em hipótese alguma transcrevê-los ao presente.
Hoje, eu respirei fundo e não senti o choro preso na garganta: ele não está mais lá. O que eu reparei que está lá é uma vontade imensa de progredir, em todos os âmbitos. Assim sendo, posso afirmar que sobrevivi e aprendi a viver na melhor companhia do mundo: a minha, nunca ignorando aqueles que me abraçaram forte e acolheram minhas lágrimas.

À vocês, o meu sucesso em seguir em frente. Hoje, eu estou bem.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Me, myself and I.

Teorias diversas sobre a solidão tentam solucioná-la sem nem se preocupar se realmente ela caracteriza um problema. Cada vez mais em minha companhia e com uma análise rápida do meu histórico, percebo que a solidão, pra mim, é quase uma amiga. Há choros e problemas que só ela conhece e se importa...Lamentações que os outros sequer se preocupam, pois nem tem conhecimento de tais. Sempre que mais preciso, vejo que não estou tão rodeada por amigos como eu pensei que seria; as vezes, me falta a companhia até daqueles mais presentes nos momentos difíceis.
Ficar sozinho quando não se quer é muito ruim no começo, mas altamente valioso no final. Aprendemos que nós nos bastamos, e que o que os outros nos somam, apenas acrescenta o nosso total. Não dependemos de ninguém, se não da nossa capacidade de sobreviver sendo nossos próprios companheiros. Afirmações históricas preconizam que 'ninguém consegue ser feliz sozinho', mas aí depende de outra definição: o que é felicidade? São tantas as possibilidades, que deve haver aqueles que conseguem sim contentar-se com ouvir apenas a si. Não sei se é o meu caso; sou muito feliz com pessoas. Mas a questão é que me viro bem - e cada vez melhor - com essa tão temida ausência. Pode ser que o costume venha com o tempo, e me deixe cada vez mais a vontade assim, por mim mesma. Também é possível que todo esse conforto associado a solidão venha da camuflagem que ela propõe. Não há mal pra atingir, não há palavras rudes, nem pessoas tentando transformar você em um monstro de mil cabeças -  que você sabe que não é. Não precisamos medir palavras, com medo de ferir, e acabar sendo ofendido em troca de tanto zelo. Não há preocupações com os preconceitos, injustiças, julgamentos... Deve haver o lado ruim, a versão sombria e doentia da solidão, como pra tudo que se define. Mas quando ela é uma opção, trata-se de uma escolha muitas vezes sã - desde que não seja a única.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

mudar. por que?

Depois de tantos discursos sobre a necessidade de mudanças, só me resta uma indagação: porque?
Porque mudar algo que nos deixa feliz? Há quem garanta que é pra que possamos crescer, aprender... Hoje só acho tudo injusto e extremamente doloroso.
O maior problema é o passado, que insiste em dar as caras só pra mostrar o quanto tudo, antes de mudar, era incrivelmente bom.
Minha situação, em particular, dói um pouquinho todo dia, as vezes mais, as vezes menos.
Meu passado tinha mais felicidade. Era bobagem, tweets antigos recheados de tanto amor, que até doía os olhos alheios - mas enchia os meus de felicidade e segurança.
Eu fazia falta até causar apneia - hoje, não devo causar nenhum desconforto significativo.
Antes, eram segundos contados até que eu chegasse - hoje, talvez as horas possam passar despercebidas.
Será que é natural, como muitos dizem, é coisa que ''acontece com o tempo''? Se fosse assim, porque eu estaria sentindo tanto? Também não sei dizer.
Pode ser egoísmo puro da minha parte, não descarto essa possibilidade. Eu posso exigir que eu tenha pra sempre o mesmo valor? Definitivamente, não.
Hoje eu, que sou metida a dar conselhos, preciso de uma fórmula mágica. Não uma que obrigue alguém a me amar pra sempre, mas sim uma que me devolva o brilho que eu tinha tempos atrás. Algo que me faça de novo aquele motivo tão importante, algo a ser cuidado e preservado.
Não reclamo de como as coisas vão hoje, continuo gostando da minha realidade. Mas cada dia, quando acordo, sinto um pedacinho morrendo depois de tanto lutar pra voltar a ser feliz como já foi tempos atrás.
Sempre me pergunto, o que mudou? Se eu soubesse, talvez poderia restaurar as coisas como eram e viver me afogando em felicidade de novo.
Mas, e depois? Será que essa hora, de indagações e sofrimentos pequenininhos, ia chegar de novo? Eu teria, de qualquer forma, que lidar com esse momento? Estaria simplesmente adiando um futuro inevitável?
Mais uma vez, também não sei. Como já deu pra ver, não sei de muita coisa. Sei só que gostaria de voltar a significar mais, porque essa diminuição na qual eu me encontro tem diminuído minhas motivações; e sem elas, sobra o quê?
Tava precisando desabafar, tem algo entalado, errado, desconfortável... mas que não consigo consertar, nem refazer, nem restaurar. É uma confusão sem fim, cada dia acordando com a certeza de significar menos, e menos, e menos... me preparando pro dia que não significar mais nada. Dá pra imaginar o quanto é chato viver a espera desse dia, sem saber se estou ou estarei preparada pra sua chegada? Pois é.
Fácil não tá, mas enquanto tá tolerável... Deixa o amanhã trazer as novidades - sejam elas boas, ou nem tanto.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Let's do it!


O que mais, se não observar. Pacientes ou inquietos, opinantes ou omissos, favoráveis ou opositores, mas sempre observadores. Dizem por aí que há algum aprendizado em olhar – atentamente ou não – os acontecimentos adjacentes. Concordo, em parte, portanto também discordo. Minha opinião favorável vai ao encontro de que não se pode evitar a observação.
Longe de mim ser uma doce senhora que ocupa suas preciosas horas investigando gratuitamente a vida alheia, mas vivemos direta ou indiretamente acompanhando o próximo como se ele fosse protagonista de um romance – interessantíssimo – policial.
Acompanhamos também pessoas que não conhecemos, pelo menos oficialmente, pois a proximidade promovida pelos mais diversos meios de comunicação faz parecer que são amigos de longa data. Vivemos momentos, compartilhamos emoções, mas sem quase nunca transpassar a barreira invisível do desconhecimento real.
É mais ou menos o chamado “viver de tabela” onde, conscientes ou não, acabamos privando nossas possibilidades em prol da expectativa de acompanhar mais uma informação sobre acontecimentos que em nada se relacionam a nossa vida.
Obviamente, não me encontro em condição de tecer críticas aos followers assíduos, pois muitas vezes participo dessa categoria. O medo que me acerca tem origem na dificuldade em impor limites sobre quando essa prática deixa de ser saudável e passa a obstruir nossos próprios caminhos para deixar livre a passagem das mais diversas ilusões.
Por outro lado, parte do meu raciocínio tende à discordar de toda essa história de aprendizado pela observação passiva e crê fielmente que “olhar é fácil; difícil é fazer”.
Quando fiz autoescola, vi um vídeo de como montar um motor de carro e me senti super apta a trabalhar em qualquer fábrica de motores. Claro que não consigo nem montar quebra-cabeça de 500 peças, mas visualizar tudo aquilo de um modo tão sutil e didático trouxe pra mim uma falsa ilusão de capacidade – e é aí que enxergo um viés tremendo em algumas modalidades de incentivo.
A decepção pode ser intensa se somos incapazes de fazer algo que é, aparentemente, tão simplório. Se é que vale alguma coisa, minha dica é: e daí?
Isso mesmo! “E daí” pra tudo que parece fácil e é difícil, pra tudo que parece difícil e é difícil mesmo... Nem sempre o que você vê por aí é fruto de uma única tentativa! Existe uma ferramenta essencial para o êxito: a TENTATIVA! E junto dela, vem um ônus inevitável, chamado ERRO! Tentar e errar são verbos parceiros, andando sempre juntos aconteça o que acontecer! Só vão embora quando chega um outro camarada pra roubar a cena: o “CONSEGUIR”. Mas ele nem sempre vem tão rápido quando queremos, por isso o importante é estar sempre buscando convidá-lo, cada vez mais vigorosamente, pra que ele venha até você!
Vamos conseguir?