segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Past Continuous

Falar de assuntos gerais, por mais que seja uma prática habitual, é sempre mais complicado do que simplesmente expressar suas angústias. Mas, como o que é complexo curiosamente me agrada mais, é com algo desse gênero que pretendo gastar algumas linhas hoje. Passado. Quando o assunto é esse, não sei você, mas a mim remete de cara aos amores, amigos, momentos, vivências, aprendizados, risadas e toda essa bagagem de coisas que foram ficando, cada qual em seu respectivo ambiente e tempo, com o passar dos dias. Estaria o passado de fato estático e intacto em algum lugar? Acho que não. O futuro é proporcionalmente mutável às nossas atitudes no presente, e moldável de acordo com o rumo que tomamos. O passado é diferente por ser um fato já consumado, talvez por isso seja sempre taxado de irreversível. O pretérito, que oscila entre perfeito e real, funciona muitas vezes como um refúgio, um objeto de cobiça para conseguir sair das situações complexas que o presente nos permite construir. Engraçado mesmo é como todo presente se torna passado, e assume, a partir daí, um caráter totalmente diferente daquele que possuia de fato. Bom mesmo seria se funcionasse como um depósito, ao qual pudéssemos ter acesso sempre que julgássemos necessário; mas, se assim fosse, há de concordar que não haveria passado! Como nada na vida é mera coincidência, pelo menos não para mim e meu ponto de vista, há uma boa razão para que o passado seja assim, tão distante ainda que pertença totalmente a você. Uma relíquia, um porto seguro de armazenamento, que serve para ampará-lo, ainda que apenas com memórias, e permitir sua análise do que deu e não deu certo, pra que você copie ou exclua suas atitudes, de acordo com a dimensão que tiveram anteriormente. É o rascunho contínuo da vida que, em sua extensão, permite tentativas constantes, acompanhadas ou não de algum acerto posterior. Se é justo ou não manter momentos tão singulares apenas na memória, não cabe a nós julgar; cuidar para que esses momentos se repitam e proporcionem iguais ou melhores sensações, isso sim está ao nosso alcance.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

intimamente impessoal

bom dia.

é fato que já não há sol nenhum para que a saudação fosse essa, mas não pensem que eu não sei diferenciar dia de noite, claro de escuro. o ponto não é esse, então não vamos perder tempo nem o sentido da história nisso. há algum tempo atrás, talvez não muito, provas de amor marcavam a possibilidade de um relacionamento. e, se este chegasse a ser um fato consumado, seria duradouro, intenso e verdadeiro. os anos passaram e carregaram com eles grande parte das boas intenções que se faziam necessárias, ainda que como camuflagem, para esse tipo de relação. e hoje, numa análise bruta, onde chegamos? ao mesmo tempo que deixamos de lado nossos sentimentos, lançamos mão dos mesmos em frases feitas e dedicadas com todo afeto do mundo a pessoas praticamente desconhecidas. não se precisa mais conhecer a fundo a personalidade, os pensamentos, a vida ou qualquer outra coisa assim de um individuo para amá-lo. de fato, muito mudou, inclusive o valor do sentimento amor. eu sou sim daquelas que prega e defende que amor verdadeiro é aquele entre você e seus pais. mas dentro desse discurso não dá pra renegar aquele sentimento bom, que é um misto de conforto, prazer, segurança e mais um monte de coisas boas dificeis de serem listadas. pois então, esse mesmo sentimento tão complexo e tão intenso não corresponde ao significado atual que a maioria atribui ao amor. hoje, deixamos tornar rotineiro um 'eu te amo' que deveria, antes de tudo, conquistar espaço e ser merecedor de alí residir. muitos julgam como antiquado aquele que espera para declarar um sentimento, afinal... são só palavras, não é mesmo? não. se fossem só palavras poderiam ser ditas assim, a torto e a direito, sem a mínima preocupação se o receptor compreende o sentido e a intenção daquele discurso. qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência: quando dizemos que deturparam o significado de amar, não estamos apenas buscando uma forma culta de expressar uma indignação fajuta e superficial do caos que se instaurou no sentimentalismo como um todo. é realmente lamentante ver no que conseguimos transformar toda a magia, toda a pureza que antes era tão abundante. as pessoas, cada vez mais jovens, fazem atribuições de relacionamentos à envolvimento sem sentimento. não há relação sem sentimento, quando é que conseguiremos compreender isso? nem que seja indiferença, mas sempre há algo envolvido. negar a existência de um propósito maior parece ser motivo de orgulho, mas é apenas a prova que estamos lidando com situações tão diferentes, que acabamos vendo necessidade em nos mascarar de indiferença e estabelecer vínculos ficticios com pessoas aleatórias. não subestimando sua capacidade de ler as entrelinhas, que fique claro a função do bom dia do início: se eu escrevesse ali 'eu te amo' faria, de fato, alguma diferença? já não tenho criticas a construir quanto a essa postura dominante. ' aos meus inimigos ofereço minhas palmas e sorrisos; jamais as minhas vaias, pois não há expressão melhor da incapacidade de aceitar a superioridade do próximo quanto tentando reduzi-lo.' são minhas próprias palavras, entre aspas porque de certa forma foge ao contexto. os amantes da ausência do sentimento não são inimigos, apenas pobres almas que ainda não têm noção da lacuna que estão alimento dentro do seu universo. e a falta de inspiração pode conduzi-lo a achar o texto um tanto quanto entediante: não se culpe, pois hoje compartilhamos desse mesmo sentimento.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009



cômicos. é isso que nós somos, pra não dizer hipócritas ignorantes. num relacionamento, nos lançamos armados da cabeça aos pés com regras, comparações, advertências e opiniões. nos tornamos alheios a todas as falhas e reservamos a culpa única e exclusivamente para o outro. na relação do vizinho, palpitamos de certa forma sempre negativamente, alegando que se ele é compreensivo, é passivo demais se tem atitude, é muito explosivo. num trecho desse contexto parece humanamente impossível atingir um relacionamento ideal, que agrade os componentes e os agregados que insistem em se achar parte do todo. criticamos tanto, mas na prática tiramos uma xerox do comportamento errôneo e seguimos a risca esse molde mal intencionado. convencionamos a saciedade no relacionamento como aquela que engloba os sentimentos de participantes e alheios da interação. esquecemos do sentimento de completar-se com o que o outro tem a lhe oferecer, sem passar a maior parte do tempo tentando modificar atitudes, pensamentos, apenas convivendo e contemplando a alegria de encontrar alguém que lhe faça simplesmente bem. nunca haverá uma multidão protestando em prol da sua felicidade, assim como você não verá ninguém observando sua vida sem palpitar, seja lá com qual intenção for. jamais haverá pessoas perfeitas, com sorrisos estampados de duração vinte e quatro horas, de diálogo sempre doce e sereno. Aprender a aceitar o que te faz bem é abdicar de coisas supérfluas e, possivelmente, degenerativas de ego. aprender a viver inclui a entender que a sua vida é você quem tem que fazer.

domingo, 4 de outubro de 2009

NÃO !

De fato é minha peculiaridade não gostar de muitos.Muitos risos, de pessoas muito ou pouco importantes. Muitos motivos assombram meus pensamentos, e eu me encontro perdida entre tanto a analisar.Análises desnecessárias, admito. Mas se sua incidência é real, relutar contra observações passa de válido para patético.Não gosto do meio que modifica o homem, nem do homem que modifica o meio, nem de suas contradições e conflitos eternos em busca de certeza e ordem numérica dos acontecimentos.Exageros fazem parte de mim, mas não de minhas afinidades. Não gosto de subtrair por saber mais ou menos que alguém, nem de quem pensa ter poder suficiente para sair por aí fazendo isso quando quiser.Meus gostos e desgostos podem não te interessar, mas isso não me diz respeito. Quanto a ética e as regras para a boa convivência, as vezes elas lideram minhas listas de negação.Mas é ainda por elas que não me expresso como profundamente me sinto tentada a fazer. Intolerante à falsidade, compartilhadora da mesma. Antônimos compondo frases de coordenação aditiva, compondo um mundo ambíguo, intérprete das honras de habitantes acéfalos. Ah, jamais poderia lhe responder o que quero dizer, pois eu não costumo querer dizer muito as pessoas.Quero dizer muito a mim, a unica pessoa que comprovo ser entendedora dos meus silêncios, sem achar minhas metáforas antiquadas, ou sem criticas ocultas, apenas achismos explícitos.Hoje tudo me cansa, até minha presença começa a enquadrar-se em tal situação entediante. Estado de sítio para minhas relações: elas só vão de mal a pior, a medida que eu consigo ainda menos compreender o que se passa nos arredores dos meus companheiros pensantes. Se o problema sou eu ou se são eles, não interessa a mim, menos ainda a você.A grosseiria não esconde nenhum medo ou fraqueza, como alguns dizem por aí. É apenas o modo objetivo que eu escolhi nessa ocasião de externar minha revolta.E se não há motivos para minha revolta, não se faça ser um. Apenas concorde, discorde, fale ou cale-se. Não deixe sua existência passar ainda mais despercebida do que lhe foi pré-determinada.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cada um tem seu diferente conceito sobre mudança, mas com certeza o ponto de romper com algo que já é substituível é um forte ponto de interseção entre as mais variadas definições. No entanto, o caráter substancial da mudança não consiste apenas em seu significado como ação, mas principalmente nos mais variados momentos em que ela se dá. Mudamos de roupa minutos antes de sair, mudamos de idéia minutos antes de fazer, mudamos de semblante minutos antes de sorrir. Uma relação intensa, intrínseca, que te conduz aos mais subjetivos devaneios e te retorna a realidade em um piscar de olhos, trazendo consigo a energia necessária para desviá-lo do caminho que estava prestes a seguir. O caráter da mudança não vem nela estampado como um rótulo; assim como as mais divertidas coisas da vida, é necessário o toque do 'arriscar' para suceder-se aos benefícios ou não da mudança propriamente dita. Até mesmo os conceitos que eu consigo aqui esboçar sofreram mudanças antes de se concretizarem em linhas, tendo muitas vezes seu conteúdo significativamente alterado nesse meio tempo. O importante de hoje, que serve também para qualquer outro dia, é que a mudança ocorrerá sem data marcada, sem lugar específico e sem razão determinada. O que irá diferir a nossa personalidade da de outrem, é a dosagem de opinião alheia que permitiremos interferir em nossa escolha e a coragem de enfrentar, no escuro, os obstáculos de origem não definida.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

outros são os outros. e SÓ!

Já não sabemos o que fazer para agradar, ainda que saibamos de cor que não devemos nos preocupar com isso. Manter alheias concepções e opiniões é uma tentativa quase sempre frustrada, a qual recorremos frequentemente quando não sabemos lidar com as críticas. As aparências são rótulos fajutos, que expressam uma pequena parte daquilo que você acredita ser. Incerteza rodeia tantos conceitos próprios que é pura ignorância acreditar que pode-se construir algo em sua ausência. O contexto no qual cada um está inserido é suficientemente heterogêneo para excluir a possibilidade de receptividade comum por parte de todos. É a partir daí que se tem condições de estabelecer vinculos, que conciliamos a afinidade em sua presença ou falta. Acreditar que uma pessoa externa sua parte mais semelhante pode ou não ser uma verdade consistente. Uma pessoa pode oscilar de acordo com os momentos ou vontades aos quais se encontra estabelecida. A maioria das pessoas não mostram ser o que são num primeiro momento porque a essência é algo precioso demais para estar escancarada aos olhos de qualquer pessoa sem a menor importância. Apenas aqueles que se aventuram a desmistificar o aparente e então conhecer o íntimo merecem tê-lo como recompensa. As pessoas querem mais praticidade e, quando não a tem, apelam para o artificio que mais está em uso: a rotulação. A segregação em grupos determinados de costumes acaba construindo barreiras desnecessárias entre pessoas que teriam inumeras coincidências construtivas para compartilhar. O que temos em comum com o outro não necessita ser exatamente uma proporção ideal, os cem por cento de sintonia não são nada mais que uma utopia daqueles que buscam no outro uma 'cura' para as imperfeições que já identificou em si. Palavras diferentes camuflam as revoltas, mas é isso que eu sinto ao observar seres humanos com todas as suas deficiências se sentindo capazes o suficiente para utilizar o verbo mais complexo de se conjugar na prática da vida: o verbo JULGAR.

arco-íris monocromático


São tão incalculáveis quanto perfeitamente óbvios nossos melhores e maiores desejos. A solidão, muitas vezes encarada como sentimento vazio, de caráter obscuro, sádico é, ao meu ver, uma manifestação do desejo de sempre querer completar-se. Em alguns momentos acreditamos estar realmente completos, mas em nossos momentos a sós com a consciência sabemos bem que naquele interior oscila um paradoxo entre o vazio da companhia e a complementação do solitário. Equívocos de interpretação não deveriam nem ser assim nomeados, visto que cada um tem livre arbítrio para manipular seu próprio pensamento do modo que melhor lhe convir. O que entra em questão nesse momento é a atuação sorrateira desse sentimento tão coletivo e ao mesmo tempo tão peculiar em cada uma de suas vítimas. Não há hora própria ou imprópria, independe da sua situação, não se leva em conta sua vontade de senti-la; a solidão vem como uma forma de delimitar sua capacidade de preencher as lacunas da sua existência. Ela atua como um alerta, semeando a idéia de que sempre haverá algo a se buscar, sempre haverá o que adquirir para alcançar sua complementação utópica. Solidão não se cobre com práticas de vertigem, não se limita a companhias indesejáveis ou incovenientes, muito menos a falsas afirmações de saciedade emocional. É parte da vida aprender a encarar momentos assim e são mais que necessários os seus particulares períodos de reflexão. Esse vazio vem para mostrar que o que você possui até aqui, por mérito ou acaso, é parte de um todo cujo acesso é o maior desejo de qualquer outra pessoa como você. É um abrir de olhos para que possamos pensar em nossas vidas como uma eterna conquista e não como uma batalha ganha que já não carece dos esforços de seus guerreiros. Negatividade pode ser associada a falas assim, mas, a meu ver, todo esse pressuposto só existe por conta de seus mentores e suas avaliações particulares do que leêm, veêm e respectivamente entendem. A ausência de algumas cores não faz dos objetos necessariamente monocromáticos. Aprender a colorir a vida com as cores que lhe estão a disposição é um aprendizado precioso para lidar melhor com as situações de solidão; no entanto, é de suma importância saber que aquele azul anil tão almejado deverá continuar sendo motivo de busca, sendo seu sucesso tanto possível quanto não.